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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Livro apresenta visão abrangente e aprofundada da nanotoxicologia


Por José Tadeu Arantes

O pesquisador Oswaldo Alves, do Instituto
de Química da Unicamp,
um dos autores (
foto: Antoninho Perri/Unicamp)
Agência FAPESP – Com mais de 400 páginas, distribuídas por 17 capítulos, cada qual abordando em profundidade um aspecto da nanotoxicologia, o livro Nanotoxicology – Materials, Methodologies, and Assessments disponibiliza o que há de mais avançado na área e suas contribuições originais.
Fruto de discussões que se estenderam por mais de uma década, a obra é um trabalho coletivo de 54 pesquisadores, sob a coordenação de Nelson Durán e Oswaldo Alves, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e de Silvia Guterres, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O prefácio, o sumário e abstracts dos capítulos podem ser acessados em http://link.springer.com/book/10.1007/978-1-4614-8993-1.
Oswaldo Alves falou sobre o livro à Agência FAPESP. Confira a seguir a entrevista:
Agência FAPESP – Quando surgiu a ideia que resultou no livro?
Oswaldo Alves – A ideia desse livro surgiu há muito tempo. Em 2002, iniciamos discussões que tratavam dos eventuais riscos das nanotecnologias para o meio ambiente e o homem. Essas discussões eram, na verdade, muito difíceis, pois tanto na academia quanto em vários setores do governo havia uma espécie de apreensão de que as pessoas tivessem receio das nanotecnologias. Apesar disso, ratificávamos, em várias instâncias, a necessidade de que fosse abordado esse aspecto crucial para o desenvolvimento das nanotecnologias. Nosso pensamento foi mais e mais reforçado após participarmos das conferências Nanosafe, em Grenoble, na França, e, principalmente, como delegado brasileiro, na OECD Conference on Potential Environmental Benefits of Nanotechnology: Fostering Safe Innovation-Led Growth, promovida pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, em julho de 2009. Além disso, os laboratórios de Química do Estado Sólido (LQES) e de Química Biológica (LQB), ambos do Instituto de Química da Unicamp, vinham, há mais de 10 anos, trabalhando com os diferentes aspectos ligados à interação de nanoestruturas com biossistemas, dentro da perspectiva da nanotoxicologia, em cooperação com mais de 20 laboratórios, em sua maioria ligados às Ciências Biológicas.
Agência FAPESP – Como foram articuladas as colaborações de tantos pesquisadores?
Alves – Em 2011, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou um edital que possibilitou a criação da Rede de Nanotoxicologia de Compostos Nanoestruturados – Citotoxicidade e Genotoxicidade de Produtos com Potencial Industrial (CigeNanotox), baseada no Instituto de Química da Unicamp e coordenada pelo professor Nelson Durán e por mim, com participação da Faculdade Metrocamp, da Universidade de Sorocaba, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Unicamp, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da UFRGS. Um dos “produtos” propostos pela Rede, além do desenvolvimento de protocolos e métodos, publicações em revistas especializadas, participação em congressos internacionais e depósito de patentes, entre outros, foi a publicação de um livro que tratasse da área emergente da nanotoxicologia. Fizemos uma proposta para a editora Springer, que prontamente a aceitou. A partir desse momento, foi desenvolvida pelos editores toda a atividade editorial, com a revisão dos textos pelos pares, autorização para uso de imagens e figuras e revisão final dos originais. Destaque-se neste processo a participação ativa de pós-doutores e estudantes de pós-graduação, muitos dos quais participaram como coautores em vários capítulos, com pesquisadores/professores sêniores.
Agência FAPESP – Este livro é uma iniciativa pioneira em nanotoxicologia?
Alves – Certamente existem outras obras que tratam do assunto. Porém, o número é pequeno. Dada a abrangência, o estágio das discussões sobre o tema e a forma como os assuntos foram tratados, não temos dúvida em considerar nosso livro uma contribuição pioneira e muito oportuna. Além da apresentação atualizada da literatura internacional de alta qualidade, acrescentamos desenvolvimentos metodológicos, resultados obtidos e reflexões oriundas dos diferentes laboratórios que compõem a Rede CigeNanotox e colaboradores.
Agência FAPESP – Existe hoje um grande interesse no uso de nanopartículas como vetores de drogas farmacêuticas com atuação bastante específica. Em que estágio estão as pesquisas na área?
Alves – Sem dúvida, é um campo que desperta grandes expectativas. Para serem utilizadas como vetores de fármacos, as nanopartículas são funcionalizadas com diferentes grupos, que as dotam de novas propriedades, como solubilidade, reatividade, capacidade de transferir energia e, até mesmo, reconhecimento de eventuais células que apresentem “mau funcionamento”, como as células cancerígenas. Apesar de muitos avanços terem sido feitos, tanto em experimentos in vitroquanto in vivo, ainda são muito poucos os sistemas que já venceram todas as fases de testes para atingir o mercado. Existem muitas dúvidas sobre como esses sistemas de fato funcionam, principalmente quanto ao reconhecimento e à interação das nanopartículas com as diferentes proteínas, mas já há vários sistemas candidatos em avaliação nas agências europeias e na FDA [Food and Drug Administration] norte-americana, especialmente focando o tratamento dos tipos mais agressivos de câncer.
Agência FAPESP – Quais são os nanomateriais mais promissores nesse caso?
Alves – Em termos de materiais, têm sido muito estudadas as partículas de ouro, as sílicas mesoporosas, as nanopartículas magnéticas e, com resultados mais concretos, as técnicas de encapsulamento de fármacos por nanopartículas lipídicas. Como disse, existe muita discussão sobre como essas partículas atuam; no entanto, as pesquisas trabalham com a perspectiva de obter sistemas que sejam capazes de ir exatamente “ao ponto”. Ou seja: atingir somente os alvos biológicos de interesse, mediante o reconhecimento e a alta seletividade.
Agência FAPESP – Esses vetores podem apresentar efeitos colaterais importantes?
Alves – Uma das características dos nanomateriais é o fato de suas propriedades serem geralmente aviltadas, quando comparados com seus similares na escala macro. Assim, muitas vezes, conseguimos o mesmo resultado em termos de propriedades com quantidades muitíssimo menores. Espera-se que, no caso dos fármacos, por exemplo, sua transformação em nanopartículas possa vir a evitar efeitos colaterais importantes, uma vez que seriam usadas quantidades bem menores do princípio ativo e se atingiria somente o “alvo” responsável pela doença. Porém, esses aspectos têm de ser comprovados por meio de muitos e longos estudos multidisciplinares, uma vez que várias enfermidades são, na verdade, resultados de diversos fatores atuando de forma sinergística ou cooperativa. Outro aspecto que deve ser considerado, e sobre ele já existem resultados muito bem descritos na literatura, são os fenômenos de biodistribuição. As nanopartículas penetram no organismo, por exemplo, pelas vias respiratórias e, em função de seu tamanho, morfologia e mesmo funcionalização, acabam por se concentrar nos rins ou pâncreas. Vê-se claramente que muita ciência nova ainda terá que ser feita.
Agência FAPESP – Quais são os principais riscos envolvidos no trabalho com nanomateriais?
Alves – Eles são, em essência, os mesmos que os organismos internacionais e nacionais, responsáveis pela saúde dos trabalhadores, apontam no trabalho com produtos químicos. Acrescentaríamos, aqui, especificidades relacionadas com o tamanho das partículas, que, quando no estado sólido, na forma de pós, requerem instalações com controle rigoroso do ambiente, manipulações em bancadas especiais, equipadas com sistemas de exaustão altamente eficientes, além de equipamentos de proteção pessoal, como luvas, óculos etc. Alguns organismos internacionais, como o Ineris, na França, vêm testando os diversos materiais utilizados para a fabricação de luvas e filtros individuais, para diferentes tipos de atividades em nanotecnologia. Vale destacar que, concomitantemente ao crescimento do número de produtos que utilizam as nanotecnologias, cresce também uma indústria de segurança visando a sua manipulação no ambiente industrial.
Nanotoxicology: materials, methodologies, and assessments
Autores: Nelson Durán, Silvia S. Guterres e Oswaldo L. Alves
Editora: Springer
Preço: US$ 159
Páginas: 411

Deputado e gerente da ABDI discordam sobre alerta de uso de nanotecnologia


A polêmica foi observada durante debate na Câmara dos Deputados em que se discutiu a regulamentação dos produtos oriundos de nanotecnologia


A regulamentação dos produtos oriundos de nanotecnologia causou polêmica nesta quarta-feira (20) em debate na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados. O deputado Sarney Filho (PV-MA) defendeu a rotulagem obrigatória desses materiais. Já a gerente de projetos da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Cleila Guimarães Pimenta, disse que a medida pode confundir os consumidores.

Nano é uma unidade de medida que corresponde à divisão de um metro por um bilhão, ou 100 mil vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo. Uma série de produtos vêm sendo elaborados a partir da manipulação de elementos nessas dimensões, o que permite avanços em remédios, produtos domésticos, baterias, tecidos, cosméticos, entre outros.

Cleila esclareceu que essa tecnologia já vem sendo usada no dia a dia, como lâmpadas do tipo LED, pintura de carros, fármacos, lápis e diversos outros materiais.

Projeto
Um projeto apresentado por Sarney Filho determina que todos os produtos que forem desenvolvidos com essa tecnologia contenham rótulos com a informação (PL 5133/13). De acordo com o texto, até mesmo os produtos oriundos de animais alimentados com ração com nanomateriais deverão ser rotulados.

"A nanotecnologia promete uma série de avanços e não somos contra esses avanços, assim como não somos contra os transgênicos. O que devemos ter em vista é a precaução. Todo produto tecnológico é potencialmente nocivo e cabe ao produtor provar a segurança do novo produto", argumentou o deputado.

A gerente da ABDI, que é uma entidade ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ponderou: "Um símbolo de nanopartículas quer dizer o que para o consumidor? Um risco, um benefício? A tendência é confundi-lo ainda mais". Cleila defende a realização de novos estudos sobre a tecnologia antes de qualquer legislação sobre o tema.

Mudanças possíveis
O projeto de Sarney Filho está sendo analisado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico e ainda deve ser votado pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça, mas o parlamentar não descartou a possibilidade de fazer mudanças no texto.

"Discutiremos e teremos um substitutivo ao projeto. A proposta é uma base para o debate e não há nenhuma posição fechada de minha parte. O importante é que essa discussão seja trazida para o Congresso e haja avanços".

Sarney Filho, no entanto, insiste que os consumidores sejam sempre informados ao adquirirem produtos desse tipo. "A nanotecnologia é uma coisa relativamente nova no mundo e a gente não sabe até que ponto ela pode ser prejudicial à saúde e ao meio ambiente", alertou.

Cleila Guimarães Pimenta, entretanto, lembrou que os cosméticos, alimentos e fármacos já passam por testes obrigatórios para comprovação de eficácia, segurança e qualidade. Segundo ela, a rotulagem não é obrigatória nos Estados Unidos e nem em diversos países europeus. "Não há consenso internacional sobre o tema, o que reforça a necessidade de novos estudos antes da fixação de uma regra", afirmou.

Íntegra da proposta:

(Carolina Pompeu/Agência Câmara)


Audiência pública sobre rotulagem de produtos com nanotecnologia gera polêmica

A regulamentação dos produtos oriundos de nanotecnologia causou polêmica nesta quarta-feira (20) em debate na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados.
O deputado Sarney Filho (PV-MA) defendeu a rotulagem obrigatória destes materiais. Já a gerente de projetos da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Cleila Guimarães Pimenta, disse que a medida pode confundir os consumidores.
Nano é uma unidade de medida que corresponde à divisão de um metro por um bilhão, ou 100 mil vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo. Uma série de produtos vêm sendo elaborados a partir da manipulação de elementos nessas dimensões, o que permite avanços em remédios, produtos domésticos, baterias, tecidos, cosméticos, entre outros.
“A nanotecnologia promete uma série de avanços e não somos contra isso, assim como não somos contra os transgênicos. O que devemos ter em vista é a precaução. Todo produto tecnológico é potencialmente nocivo e cabe ao produtor provar a segurança do novo produto”, argumentou o deputado, que é autor de uma proposta com esse tema (PL nº 5133/13).
A gerente da ABDI, que é uma entidade ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ponderou: “O que quer dizer um símbolo de nanopartículas para o consumidor? Um risco, um benefício? A tendência é confundi-lo ainda mais”. Cleila defende a realização de novos estudos sobre a tecnologia antes de qualquer legislação sobre o tema.
O projeto de Sarney Filho é analisado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico e ainda deve ser votado pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça, mas o parlamentar não descartou a possibilidade de fazer mudanças no texto.
“Discutiremos e teremos um substitutivo ao projeto. A proposta é uma base para o debate e não há nenhuma posição fechada de minha parte. O importante é que essa discussão seja trazida para o Congresso e haja avanços”, finalizou.

Rótulo em produtos com nanotecnologia divide opiniões

A nanotecnologia, que trabalha com a matéria em escala super-reduzida, é uma das áreas que mais avançam na pesquisa científica. Muitos produtos que fazem parte do nosso dia a dia, como roupas e eletrônicos, são frutos dessa pesquisa. A Câmara realizou uma audiência pública para debater a regulamentação e a rotulagem de produtos da nanotecnologia.





segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Switzerland Updates Precautionary Matrix for Synthetic Nanomaterials


In November 2013, Switzerland’s Federal Office of Public Health (FOPH) updated its precautionary matrix for synthetic nanomaterials, which industry can use to assess nano-specific health and environmental risks of nanoproducts. 

FOPH states that the precautionary matrix “enables the structured assessment of the ‘nano-specific need for precautions’ when handling synthetic nanomaterials.” 

FOPH intends the matrix to assist industry with due diligence requirements, and their “duty to exercise self-control opposite employees, consumers and the environment.” 

According to FOPH, the precautionary matrix can identify “potentially risky applications,” allowing the initiation of precautionary measures to protect people’s health and the environment. 

 FOPH notes that the precautionary matrix “is upgraded in close cooperation with industry, science and trade as well as consumer and environmental organisations.”


A Era dos Pequenos, Micros e Nano satélites (1)



José Monserrat Filho *

A Era Espacial foi inaugurada por um pequeno satélite. O Sputnik-1, lançado pela ex-União Soviética em 4 de outubro de 1957, era uma esfera de 58 cm que pesava 83,6 kg. Voou durante 22 dias a uma altitude entre 228 e 947km, sem nenhuma função específica. Levava a bordo nada além de dois transmissores de rádio de 1 W, com duas longas antenas, operando entre 20,005 e 40,002 MHz e emitindo um único e obstinado – “bip,bip,bip” –, sintonizado por qualquer rádio-amador. 

Era, portanto, absolutamente inofensivo. Mas causou pânico nos EUA. Por que?

Porque a parte mais importante desse lançamento espacial pioneiro não era o satélite. O Sputnik I não passava do “escada”, como se diz em linguagem teatral, para o personagem principal, o foguete lançador (19 m de altura, dois estágios, 240 ton na decolagem) batizado com o nome de R7, o temido “Semyorka”, que emergia no palco da política mundial, em plena Guerra Fria, como poderoso míssil balístico intercontinental, capaz de lançar ogivas nucleares no outro lado do Terra, ou seja, nos EUA, rompendo, assim, a decantada invulnerabilidade do território norte-americano.

Daí que um pequeno satélite, instalado nos ombros do gigante R7, gerou uma grande mudança global. As potências rivais tinham agora que sentar-se à mesa de negociações para discutir a nova situação geopolítica do mundo e atender, até onde permitissem seus planos estratégicos, aos ardentes anseios de paz de todo um planeta à beira da catástrofe nuclear.
Antes, dizia-se abertamente, o país que dominar o espaço, dominará o mundo. Inaugurada a Era Espacial por quem menos se esperava fosse capaz de tamanho feito, passou-se a apregoar o uso pacífico do espaço.

Mas essa visão não durou muito. De certo modo, serviu para acalmar a opinião pública, alarmada com a ameaça da terceira guerra mundial, fadada a ser um choque de extermínio total. Apesar da perspectiva atordoante, a Guerra Fria não iria parar simplesmente porque os humanos tinham, enfim, chegado ao espaço.

Já em 1956, antes, portanto, do lançamento do Sputnik-1, os EUA aprovavam o projeto do primeiro satélite de reconhecimento, o Corona (resolução de 12m), que viria revolucionar os sistemas de inteligência a partir de 1960, substituindo o avião de espionagem U-2. Um desses aparelhos, pilotado por Francis Gary Powers, funcionário da CIA, foi abatido pela URSS e exibido no desfile de 1º de maio daquele ano. Em 1961, a URSS lançava seu primeiro satélite de reconhecimento, o Zenit (resolução de 10-15m).

A Guerra Fria crescia e se aperfeiçoava. Contudo, por acordo mútuo as duas grandes potências decidiram deixar de lado o espaço exterior como zona de conflito bélico – a mesma situação criada para a Antártida pelo Tratado de 1959, em vigor ainda hoje.

Não por acaso, apenas dez anos após o lançamento do Sputnik-1, o Tratado do Espaço, de 1967, foi capaz de proibir a colocação em órbita de armas de destruição em massa (nucleares, químicas e biológicas) e desmilitarizou totalmente a Lua e demais corpos celestes. Mas não logrou fechar o espaço para os voos suborbitais dos mísseis balísticos de grande alcance portadores de ogivas nucleares, nem para o emprego de outros tipos de armas, e muito menos regulamentar o chamado uso militar passivo do espaço (reconhecimento, comunicação, mapeamento, precisão de tiro etc.), de modo a impedir que ele vá além das ações de defesa e se torne uma forma de agressão.

 Hoje, o uso de pequenos, micros e nano satélites é tendência universal sem volta. Os satélites militares são todos apresentados como sendo de defesa. Mas quantos o são efetivamente? E como adotar critérios imparciais e objetivos, reconhecidamente justos e válidos para toda a comunidade internacional, separando o joio do trigo? É aí que a porca torce o rabo.

(O próximo artigo abordará a variedade dos pequenos, micros e nano satélites. Até lá.

* Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB,
 Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e 
Espacial, e Diretor Honorário do Instituto Internacional de 
Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica.





quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Novo programa da Coppe promove seu primeiro workshop

PENT

Apresentar o recém-criado Programa de Engenharia de Nanotecnologia e marcar a inserção da Coppe no Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias (SisNANO) são os objetivos do I Workshop de Engenharia da Nanotecnologia, que será realizado no dia 27 de novembro, quarta-feira, a partir das 10 horas no Auditório G 122, Bloco G do Centro de Tecnologia da UFRJ, Cidade Universitária.

Estarão presentes ao evento o reitor da UFRJ Carlos Levi da Conceição e o secretário Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da SETEC/MCTI Álvaro Prata, além de representantes de empresas como L’Oréal, IBM, FMC, Petrobras e Schlumberger,que debaterão, junto ao corpo docente do novo programa, as necessidades no desenvolvimento de tecnologias em nanotecnologia e a formação de recursos humanos.

Segundo o professor Sérgio Camargo, a rapidez com que a nanotecnologia evolui torna fundamental o intercâmbio entre universidade e empresa. “As empresas têm necessidade de capacitar seu pessoal para acompanhar esse avanço. Muitas delas não conseguem tomar pé dessa evolução tão rápida, e a universidade tem o papel de cooperar com elas, oferecendo informação, formação de recursos humanos e desenvolvimento de novas tecnologias. É fundamental realizar um trabalho que seja vinculado ao que a indústria do país está precisando”, disse ele.

Os cursos de mestrado e doutorado do Programa de Engenharia de Nanotecnologia da Coppe está com inscrições abertas até o dia 6 de dezembro. Mais informações podem ser obtidas em: www.pent.coppe.ufrj.br.

Um sistema para a Nanotecnologia
Instituído pelo MCTI em 2012, o Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias (SisNANO) é formado por um conjunto de laboratórios dedicados às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I), em um amplo espectro de nanotecnologias. Pela Coppe, participa do SisNANO o Laboratório de Engenharia de Superfícies e Materiais Nanoestruturados, que envolve o programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, o Programa de Engenharia Química e o Núcleo de Microscopia Eletrônica da Coppe.

Os 26 laboratórios do SisNANO foram selecionados a partir de uma chamada pública e receberão financiamento prioritário do MCTI para melhorar a infraestrutura e mantê-los internacionalmente competitivos. A verba também deverá permitir a incorporação, fixação e manutenção de corpo técnico-científico de alta qualificação e permitir que os laboratórios funcionem de forma aberta, atendendo usuários e instituições dos setores público e privado.

O sistema SisNANO é constituído por Laboratórios Estratégicos, que são aqueles vinculados diretamente ao Governo Federal, e os Laboratórios Associados, vinculados a instituições científicas e tecnológicas, em sua maioria universidades públicas. Os Laboratórios Estratégicos têm como compromisso disponibilizar, no mínimo, 50% do tempo de uso dos equipamentos para usuários externos. Já os Associados devem abrir, pelo menos, 15% do tempo de uso dos equipamentos para usuários externos, ambos seguindo regras próprias de submissão de propostas de uso.

“Segundo nosso levantamento, o Laboratório de Engenharia de Superfícies e Materiais Nanoestruturados da Coppe dispõe de um total de 36 milhões de reais em equipamentos, o que é muito, em qualquer país do mundo. Tudo isso é fruto de muito investimento realizado ao longo dos anos, que pode ser utilizado em parceria com as empresas para resolver problemas concretos, criar tecnologia e formar pessoal altamente qualificado”, diz o professor Sérgio Camargo.

Programação do I Workshop de Engenharia da Nanotecnologia
10h00 – Abertura
Apresentação do PENT: Professor Sérgio Camargo Jr.
Apresentação do Lab. Eng. Nanotecnologia: Professor Martin Schmal
Palestra do secretário Álvaro Prata (MCTI)
12h00 – Almoço
14h00 às 17h30 – I Workshop de Engenharia da Nanotecnologia
14h00 às 15h30 – Mesa Redonda com BlaiseDidillon (L’Oreal), Álvaro Prata (MCTI), ClaudiusFeger (IBM) e Dante Alario (Biolab)
15h30 às 16h00 – Coffee Break
16h00 às 17h30 – Mesa Redonda com Alan Labes (FMC Technologies); Gabriel Sotomayor (Petrobras); Kamel Bennacoeur(Schlumberger) e Carlos Mattar (Cebrace)

Fonte: COPPE/UFRJ

sábado, 2 de novembro de 2013

Nanotecnologia: uma história um pouco diferente

Os manuais de introdução à nanotecnologia pouco falam de suas origens. Artigo da CH de outubro relembra muitos feitos e personagens que marcaram a trajetória desse novo campo científico e merecem ser valorizados.
Por: Peter Schulz
Nanotecnologia: uma história um pouco diferente
A nanotecnologia é a área que trata da manipulação da matéria nas dimensões do bilionésimo de metro. (imagem: Geoff Hutchison/ Flickr – CC BY-ND 2.0)
A nanotecnologia baseia-se na investigação e manipulação da matéria na escala dos bilionésimos de metro – ou seja, dos nanômetros –, emprestando esforços de disciplinas vistas, até há pouco tempo, como separadas: biologia, física, química e ciências dos materiais.
Da comunidade científica ao grande público, diversos grupos, quando questionados sobre a história da nanotecnologia, parecem se contentar com poucas informações, que não variam muito de sítio para sítio da internet – caso emblemático é o do chamadoInstituto Foresight.
O marco fundador da área teria sido a palestra proferida, ainda em 1959, pelo famoso físico norte-americano Richard Feynman
Vejamos, então, alguns dos fatos mais disseminados sobre as supostas origens da nanotecnologia.
O marco fundador da área teria sido a palestra proferida, ainda em 1959, pelo famoso físico norte-americano Richard Feynman (1918-1988), ‘Há muito espaço lá embaixo’ – voltaremos ao assunto.
Já a palavra nanotecnologia foi cunhada, em 1974, pelo pesquisador japonês Norio Taniguchi (1912-1999). A ‘paternidade’ da tecnologia em si seria do primeiro doutor na área, o engenheiro norte-americano Eric Drexler, autor do livro Engines of creation: the coming era of nanotechnology (Engenhos da criação: o advento da era da nanotecnologia), de 1986, importante na disseminação dessa nova tecnologia para o grande público.
Naquela década, a descoberta fundamental das moléculas com 60 átomos de carbono, os fulerenos, e a invenção dos microscópios de varredura de prova – entre eles, o microscópio de força atômica, com o qual a ‘manipulação átomo a átomo’ passou a ser, de fato, possível – abririam as portas para essa nova era.
Fulereno
Na década de 1980, a descoberta das moléculas com 60 átomos de carbono, os fulerenos, foi um dos acontecimentos que abriram as portas para a era da nanotecnologia. (imagem: Wikimedia Commons/ Saperaud – CC BY-SA 3.0)
Além dessa nanotecnologia ‘moderna’, haveria também uma nanotecnologia ‘antiga’, remontando às nanopartículas de ouro e prata, dando características especiais a vidros produzidos na Roma antiga. Evidentemente, aqueles romanos não tinham ideia de que se tratava de partículas coloidais, que, hoje, são chamadas nanopartículas e – fato raramente lembrado nas várias histórias da nanotecnologia – estudadas sistematicamente pelo físico inglês Michael Faraday (1791-1867), em meados do século 19.

Espaço lá embaixo

Contar a história desse modo nada acrescenta à compreensão da nanotecnologia como uma atividade humana de pesquisa e inovação, com importantes repercussões sociais. No entanto, esse pequeno conjunto de, digamos, notas de rodapé fornece excelentes pontos de partida para ir um pouco mais a fundo e construir um olhar diferente sobre o tema.
Comecemos pela palestra de Feynman – Nobel de Física de 1965 –, adormecida por mais de 20 anos e transformada em uma profecia por, entre outros, Drexler – afinal, nada melhor do que um oráculo renomado para fomentar uma proposta supostamente nova.
O propósito da palestra aparecia logo no começo: “Quero falar sobre o problema de manipular e controlar as coisas na escala atômica”. E uma meta era anunciada em seguida: “Por que não podemos escrever os 24 volumes inteiros da Enciclopédia Britânica na cabeça de um alfinete”? Para responder a essa pergunta, Feynman encadeou uma série de elaborações conceituais que hoje soam, de fato, proféticas – e, à época, eram, sem dúvida, interessantes.
Mas seriam assim tão visionárias?
Perscrutando o contexto da época, o leitor pode chegar às próprias conclusões, lembrando que Feynman não cita resultados científicos em sua palestra, mas certamente era uma pessoa muito bem informada.
A profecia de Feynman não era desprovida de pistas claras de que poderia ser realizada. Tampouco sua palestra influenciou diretamente o desenvolvimento da nanotecnologia
O que se passava, então? Em 1958, foi desenvolvida a prova de conceito do circuito integrado (CI), rapidamente reconhecido como a primeira rota eficiente para miniaturização da eletrônica em escala sem precedentes. O físico e engenheiro norte-americano Jack Kilby (1923- 2005) – Nobel de Física de 2000 pela invenção do CI – teria anotado, em seu caderno de laboratório, em 1958: “Miniaturização extrema de muitos circuitos elétricos pode ser alcançada, fazendo resistores, capacitores, transistores e diodos em uma única fatia de silício”.
A palavra ‘extrema’ abria as portas para a imaginação em uma época em que competições de miniaturização já eram moda – e isso antes mesmo do prêmio oferecido por Feynman em sua palestra para quem construísse o menor motor do mundo. Assim, a profecia de Feynman não era desprovida de pistas claras de que poderia ser realizada.
A palestra de Feynman tampouco influenciou diretamente o desenvolvimento da nanotecnologia, como aponta o antropólogo cultural norte-americano Chris Toumey, em seu artigo ‘Lendo Feynman no contexto da nanotecnologia’. Nele, Toumey escreve que as reais motivações de Feynman – frequentemente associadas à antecipação da nanotecnologia – vêm sendo discutidas também por historiadores da física. Mesmo assim, a palestra abriu-se para a fama, chancelada por milhares de citações.
Mas seria possível um artigo praticamente desconhecido hoje ter tido, de fato, forte influência direta no desenvolvimento da nanotecnologia?
Você leu apenas a introdução do artigo publicado na CH 308. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral.PDF aberto (gif)

Peter Schulz

Faculdade de Ciências Aplicadas
Universidade Estadual de Campinas (SP)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

ANVISA e ABDI promovem Ciclo de Diálogo sobre nanotecnologias


O panorama mundial da nanometrologia e a inserção do Brasil no uso desta tecnologia é o tema da oficina temática, que acontece nesta quinta-feira (17), em Brasília. O evento abre o Ciclo de Diálogo sobre nanotecnologias com o objetivo de reunir governo, indústria e academia para discutir a atual posição do Brasil frente ao contexto mundial de nanometrologia, ciência de medição em escala nanométrica que permite um uso confiável das técnicas de nanotecnologia.

O evento faz parte de uma série de discussões que a Anvisa vem promovendo sobre tecnologias de fronteira em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Para o diretor presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, trata-se de uma discussão fundamental para que o Brasil acompanhe a fronteira do desenvolvimento de produtos na área da saúde. “Um dos desafios da regulação é acompanhar o ritmo de desenvolvimento da tecnologia, até para que a nossa indústria possa se colocar em uma posição de liderança em um contexto de promoção do complexo indústrial da saúde no Brasil”, afirmou Barbano.

Um dos palestrantes do evento é o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ary Corrêa. Segundo ele não há no mundo um marco regulatório para a nanotecnologia, apesar de haver uma grande demanda que explore essa área. Segundo ele, ao mesmo tempo, há uma pressão social no sentido de comprovação da real eficácia, riscos e preocupação com segurança. “O Brasil já está preocupado com o assunto e vem realizando fóruns de discussão a fim de firmar posição assegurando a soberania nacional para não sermos engolidos por nenhuma regulamentação internacional”, observa o professor.


Entre os participantes estão representantes da Anvisa, dos ministérios da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Senai, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e empresários dos setores de cosméticos e saúde.

Desde 2012, o Núcleo de Educação, Pesquisa e Conhecimento da Anvisa vem promovendo discussões sobre o tecnologias de fronteira com a realização da Discussão temática sobre Nanotecnologias, do Seminário de Inovação Tecnológica e do Curso Básico sobre Nanotecnologias. Em parceria com a ABDI, a Anvisa iniciará ainda este ano discussões sobre Medicina Regenerativa, com um curso básico sobre o assunto.

Em 2013, o ciclo será constituído de duas oficinas temáticas, sendo a segunda prevista para o dia 3 de dezembro e será voltada para o tema “Nanotoxicidade e Análise de Riscos” e a terceira “Regulação” prevista para 2014, em data ainda a ser definida.

Em parceria com a ABDI, a Anvisa também iniciará, ainda este ano, discussões sobre Medicina Regenerativa, com um curso básico sobre o assunto.
Local: Brasil 21 Cultural – SHS Quadra 6, Complexo Brasil 21 (mesma entrada do hotel Meliá Brasil 21)Horário
: 9h às 17h

Confira a 
programação.



Fonte: ANVISA

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Capes aprova Programa de Engenharia da Nanotecnologia

nanotechnology2

A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) acaba de aprovar os cursos de mestrado e doutorado do Programa de Engenharia de Nanotecnologia (PENT) da Coppe com conceito 5, avaliação máxima para um programa novo. 

Proposta inovadora no cenário científico e tecnológico nacional, o PENT oferecerá os primeiros cursos de engenharia de tecnologia do Brasil e sua criação é um dos marcos das comemorações dos 50 anos da Coppe.

Segundo o professor Sérgio Camargo, coordenador do PENT, a aprovação pela Capes é apenas o início e muito ainda resta a ser feito. Será preciso consolidar o novo programa sob os pontos de vista administrativo, financeiro e acadêmico, além de estabelecer parcerias e colaborações com outras Instituições no Brasil e no exterior. "Enfim, precisamos seguir, à semelhança dos demais programas, um longo caminho rumo à excelência que tão bem nos caracteriza. Mas a criação do PENT no mesmo ano em que se comemoram os 50 anos da Coppe demonstra que nossa instituição ganha maturidade, olha para o futuro e se moderniza para acompanhar as demandas de seu tempo e do Brasil", diz ele.

O diretor da Coppe Luiz Pinguelli Rosa também destaca a relevância do novo programa: “É muito importante a criação desse novo curso engenharia voltado para a nanotecnologia, especialmente tendo recebido a avaliação 5 da Capes. Outros programas da Coppe vão colaborar para essa nova atividade, com seus laboratórios e professores, mas haverá matriculas específicas para essa nova pós-graduação”, explica Pinguelli.

Para o vice-diretor da Coppe, professor Edson Watanabe, o PENT será importante no desenvolvimento de novas técnicas e produtos para os mais diversos setores. “O mundo inteiro está investindo em nanotecnologia, setor que fará a diferença no setor industrial e na engenharia em geral. A Coppe já tinha várias iniciativas isoladas que utilizavam a nanotecnologia em seus mais variados programas, e a união de todas elas certamente vai gerar muita inovação”, disse ele.

Sergio Camargo
O professor Sergio Camargo lembra ainda que o Brasil precisa se atualizar no ensino da nanotecnologia e a engenharia é a ponte entre o conhecimento básico e a aplicação. “A criação do PET resultou da percepção de demandas de diversos setores da sociedade. Congregando competências estabelecidas e formando recursos humanos altamente especializados na área, o PENT contribuirá para a criação de tecnologia própria no setor, gerando soluções para novos desafios e fomentando a inovação nesta área estratégica.”

Ciência em nova escala
Nanotecnologia é a tecnologia de manipular, controlar, projetar, simular, desenvolver, executar e fabricar objetos, estruturas, dispositivos e sistemas na escala de tamanhos entre 1 e 100 nanômetros, aproximadamente, que apresentem novas propriedades, funções ou desempenho devido às suas dimensões reduzidas. 

Concebida no final da década de 50, a Nanotecnologia ganhou impulso durante as décadas de 80 e 90 do século passado, passando a contar com o forte apoio e planejamento por parte dos governos dos países mais desenvolvidos a partir dos anos 2000.

Os avanços alcançados até hoje nas diversas áreas da ciência e da tecnologia apontam para um papel cada vez mais importante da nanotecnologia em praticamente todos os setores do conhecimento, da economia, e da vida dos seres humanos. 

Analistas preveem que a nanotecnologia será um dos vetores que propiciará o equivalente a uma nova revolução industrial, e que seu impacto sobre a nossa sociedade será muito superior àqueles provocados pela eletrônica, informática ou comunicações.


Fonte: Coppe/UFRJ